Natal cresce sobre um complexo sistema de dunas e tabuleiros costeiros, cenário que desafia qualquer cronograma de obra quando a água subterrânea aparece onde não era esperada. Com 890 mil habitantes e lençol freático muitas vezes a menos de dois metros de profundidade, a permeabilidade real do terreno vira um dado de engenharia que não se pode estimar com tabela. O ensaio de permeabilidade in situ, executado conforme os métodos Lefranc e Lugeon, entrega o coeficiente de condutividade hidráulica diretamente do maciço, sem depender de correlações indiretas que ignoram a heterogeneidade das areias eólicas da região. Em projetos de drenagem, contenção ou rebaixamento, a diferença entre medir e supor esse parâmetro costuma ser a diferença entre uma fundação que trabalha seca e uma estrutura convivendo com infiltração crônica.
Quando a sondagem SPT tradicional indica solo arenoso, o dado granulométrico sozinho não basta para prever o fluxo; por isso, muitas obras em Natal combinam o ensaio de granulometria com o Lefranc para fechar o modelo hidrogeológico com segurança.
Na zona costeira de Natal, um metro de erro na previsão do lençol freático pode atrasar seis meses de cronograma e inviabilizar o sistema de drenagem projetado.



