A aplicação da tomografia sísmica de refração e reflexão em Natal, RN, exige um olhar técnico muito específico sobre o arcabouço geológico local. As formações sedimentares do Grupo Barreiras, combinadas com extensos depósitos eólicos dunares que caracterizam a paisagem da cidade — como o famoso complexo dunar do Parque das Dunas, com seus mais de 1.100 hectares —, impõem desafios de propagação de ondas que só uma calibração adequada em campo resolve. A normativa ABNT NBR 15935:2011, que trata dos ensaios geofísicos cross-hole e downhole, baliza parte dos procedimentos, mas na prática cada perfil sísmico em Natal demanda ajustes finos nos geofones e na energia da fonte. Uma campanha bem planejada em bairros como Ponta Negra ou Via Costeira entrega desde a profundidade do embasamento cristalino até a estratigrafia detalhada do pacote sedimentar, informação essencial para projetos de fundações profundas que precisam atravessar camadas pouco consolidadas. Para complementar a investigação direta do subsolo, muitas vezes integramos os dados sísmicos com um ensaio CPT, que oferece a resistência de ponta contínua nos mesmos alinhamentos investigados pela geofísica.
A inversão conjunta de tempos de trânsito e formas de onda entrega, num único perfil, a estratigrafia sísmica e os módulos elásticos dinâmicos do maciço.



